Início do conteúdo

20/12/2016

Quatro décadas de excelência


Kadu Cayres

O último Centro de Estudos de 2016 do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) foi marcado por uma celebração especial: o mais antigo dos Programas de Pós-graduação Stricto sensu do IOC em atividade, o curso de Biologia Parasitária comemorou seus 40 anos de criação. Em sessão especial, no dia 16 de dezembro, a mais tradicional atividade acadêmica do Instituto foi prestigiada por mais de uma centena de pesquisadores, alunos e ex-coordenadores do Programa. A cerimônia contou com palestras de José Roberto Machado, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e Guilherme Werneck, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador da área de Saúde Coletiva da Capes, que abordaram a formação do parasitologista no contexto universitário e o processo de avaliação dos Programas de Pós do país. Ex-coordenadores foram homenageados.

“A BP, como costumamos chamar, faz parte da vocação histórica do IOC no estudo da parasitologia, cuja proposta é associar a tradição de excelência da instituição na área às novas abordagens científicas e tecnológicas”, ressaltou o atual coordenador do Programa, o pesquisador Rafael Freitas, durante a solenidade de abertura. “Devemos comemorar os 40 anos da Biologia Parasitária. Afinal, não é todo dia que se completa quatro décadas”, celebrou. Credenciado na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) com conceito 7 – índice máximo concedido a programas de excelência, o programa já formou mais de 840 mestres e doutores. Somente nos últimos quatro anos, foram mais de 150 novos estudantes qualificados.

A consolidação da Pós-graduação Stricto sensu no Instituto ocorreu com a transferência do curso de Parasitologia Médica da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) para o IOC, sendo rebatizado como Biologia Parasitária. “Um programa que começa em um lugar, passa para outro, atinge a marca de 40 anos e hoje tem a pontuação máxima da Capes mostra que a sustentabilidade da excelência se fez presente ao longo do tempo. Afinal, quarenta anos não se constrói quando se completa”, enfatizou Wilson Savino, diretor do IOC, durante a mesa de abertura. 

Troca de experiências

‘Formação de parasitologista: passado, presente e futuro’ e ‘Avaliação de programas de pós-graduação no Brasil: princípios e desafios’ foram os temas das palestras ministradas no evento. A primeira, apresentada por José Roberto Machado, da UERJ, explicou as formas de despertar, em estudantes de pós-graduação, o interesse pela parasitologia. “O trabalho do parasitologista precisa impactar o desenvolvimento científico-social, e ter uma abordagem multidisciplinar na formação, contento novas técnicas e novas ideias. Além disso, existe a necessidade de um mutuo relacionamento entre a bancada e o campo”, proferiu. A apresentação de Machado também pontuou as diversas maneiras de abordar a parasitologia na produção científica.

A segunda palestra do dia foi realizada por Guilherme Werneck, da UFRJ. O especialista, que também coordena a área de Saúde Coletiva da Capes, apresentou como funciona o processo de avaliação dos programas de pós-graduação pela instituição, e destacou os princípios que balizam a avaliação. “Contribuir para o desenvolvimento de cada programa e área em particular, e da pós-graduação brasileira como um todo são os objetivos da avaliação”, salientou. “Com o processo, pretendemos verificar a integração entre estruturas curriculares e linhas de pesquisa, a qualidade do corpo docente e a capacidade de consolidação da produção científica”, completou.

Homenagem aos ex-coordenadores

A atividade comemorativa também foi marcada por uma homenagem aos coordenadores que ajudaram a construir a trajetória de excelência do Programa. “Esse é o Curso de Aplicação criado por Oswaldo Cruz, que eu e Hermann Schatzmayr transformamos em Biologia Parasitária. Na verdade, ele tem muito mais de 40 anos”, relembrou um dos primeiros coordenadores, Luiz Fernando Ferreira, pesquisador emérito da Fiocruz.

Assim como Ferreira, o chefe do Laboratório de Doenças Parasitárias do IOC, José Rodrigues Coura, também acompanhou a criação do Programa no Instituto. “Assumi a coordenação em 1980 e acompanhei alguns desdobramentos. A criação da pós em Medicina Tropical, por exemplo, é demanda que saiu da BP devido ao crescente número de graduados em medicina optando por uma pós-graduação em Medicina Tropical”, adiantou.

“Coordenei o Programa por quase 15 anos. Durante o período, expandi sua atuação por diferentes estados do Brasil. Agradeço a atual coordenação por proporcionar esse momento de recordar a construção do curso de Biologia Parasitária”, declarou o pesquisador Sylvio Celso Gonçalves Costa, pesquisador do extinto Departamento de Protozoologia, que, em 2009, completou 50 anos de trabalho ininterrupto no IOC.

Para Ana Maria Gaspar, pesquisadora do Laboratório de Desenvolvimento Tecnológico em Virologia que esteve sete anos à frente da coordenação do Programa, a trajetória ascendente do curso foi construída a várias mãos.  “Conseguimos fazer com que a Capes passasse a nos enxergar como uma instituição que gera, além de produção acadêmica, desenvolvimento tecnológico, inovação e recursos humanos qualificados”, comentou.

Ao final, o atual coordenador, Rafael Freitas, e a secretária do Programa, Rita de Cássia Gomes, foram homenageados pelos anos de serviços prestados ao curso. 

Voltar ao topoVoltar